domingo, 21 de novembro de 2010

Pitadas de Caio F. - Parte I

Sobre saudade e amor...


"E essa falta cresce à cada dia, de forma avassaladora, quando enfim penso que estou me acostumando, que estou te esquecendo, você ressurge de forma inesperada ocupando todos os espaços, transbordando de dentro de mim... e é nessa inconstante loucura que vivo sem te ter."

"Quando você sente saudade demais de uma pessoa, então começa a vê-la nas outras, em todos os lugares, de costas, por um jeito de andar, de sorrir ou virar a cabeça de lado."

"Tenho trabalhado tanto, mas penso sempre em você (...). Se não dormisse cedo nem estivesse quase sempre cansado, acho que esses pensamentos quase doeriam e fariam clack! de madrugada e eu me veria catando cacos de vidro entre os lençóis."

"A gente sempre acha que é especial na vida de alguém, mas o que te garante que você não está somente servindo pra tapar buracos?"

"Ai. Saudade é uma coisa azul e amarga com carne por fora e espinho por dentro."

"Seria tão bom se pudéssemos nos relacionar sem que nenhum dos dois esperasse absolutamente nada, mas infelizmente nós, a gente, as pessoas, têm, temos - emoções."

"Na minha memória - tão congestionada - e no meu coração - tão cheio de marcas e poços - você ocupa um dos lugares mais bonito."

"Cuidado com as ilusões mocinha, profundas e enganosas feito o mar."

"Vem para que eu possa recuperar sorrisos, pintar teu olho escuro com kol, salpicar tua cara com purpurina dourada, rezar, gritar, cantar, fazer qualquer coisa, desde que você venha, para que meu coração não permaneça esse poço frio sem lua refletida."

"Como pode? Duas pessoas tão diferentes se amarem a ponto de não conseguirem desviar os pensamentos um do outro? Certo dia me perguntaram: Porque você se apaixonou? Eu respondi: Não sei. E talvez continue não sabendo. Eu simplesmente amo, acordo e vou dormir com ele nos meus pensamentos."

"Quando se deseja realmente dizer alguma coisa, as palavras são inúteis. Remexo o cérebro e elas vêm, não raras, mas toneladas. Deixam sempre um gosto de poeira na boca - a poeira do que se tentava expressar, e elas dissolveram."

"Que te dizer? Que te amo, que te esperarei um dia numa rodoviária, num aeroporto, que te acredito, que consegues mexer dentro-dentro de mim? É tão pouco. Não te preocupa. O que acontece é sempre natural - se a gente tiver que se encontrar, aqui ou na China, a gente se encontra."

"Se tiver aprendido lições (amor é pedagógico?), até aproveito e não faço tanta besteira. Mas acho que amor não é cursinho pré-vestibular. Ninguém encontra seu nome no listão dos aprovados. A gente só fica assim. Parado olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é."

"Amanhã, depois, acontece de novo, não fecho nada, não fechamos nada, continuamos vivos e atrás da felicidade, a próxima vez vai ser ainda quem sabe mais celestial que desta, mais infernal também, pode ser, deixa pintar."

"Seria isso, então? Você só consegue dar quando não é solicitado, e quando pedem algo você foge em desespero. Como se tivesse medo de ficar mais pobre, medo de que se alcance seu centro e nesse centro exista alguma coisa que você não quer mostrar nem dar ou dividir."

"Que coisas são essas que me dizes sem dizer, escondidas atrás do que realmente quer dizer? Tenho me confundido na tentativa de te decifrar, todos os dias. Mas confuso, perdido, sozinho, minha única certeza é que de cada vez aumenta ainda mais minha necessidade de ti. Torna-se desesperada, urgente."

"Não me venhas com Densas Complexidades Psicológicas. Artimanhas, embustezinhos corriqueiros. Portas falsas, coração. Tudo isso me nauseia como a décima dose de um licor de anis."

"Já li tudo, cara, já tentei macrobiótica psicanálise drogas acupuntura suicídio ioga dança natação Cooper astrologia patins marxismo candomblé boate gay ecologia, sobrou só esse nó no peito, agora o que faço?"

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Assalto?

Ouvia aquela canção que dizia: "eu só sei amar direito, nasci com esse defeito no coração". Ela não sabia amar direito. Ela amava torto.

Amar torto não significava, na sua cabeça também torta, que aquele amor não fosse também bonito. Era apenas a sua maneira de amar, que, assim como ela, era pouco convencional. Difícil de entender. Mais ainda de explicar. Tentou traduzir:

É intenso. Se expressa em pequenos gestos. Quase nunca em palavras. Ele é péssimo com as palavras. Aliás, não é. Ele é bom com as palavras, desde que elas não saiam da sua cabeça. Na sua cabeça ele é delicadamente decifrado em vocábulos doces, sutis, delicados e intensos. Mas só são assim lá. Fora dela quase sempre são uma verdadeira catástrofe.

Não se exprime através de gestos grandiloquentes. É sutil... quase imperceptível para olhos desatentos. É cheio de estratagemas e tem medo de terrenos lamaçentos: nunca se sabe o que tem por baixo daquela calmaria aparente. Procura se orientar pela racionalidade e aí expressa sua maior contradição. É volátil... facilmente se dilata ou comprime ao sabor das circunstâncias.

Mas ele também sabe ser bonito. Daquela "boniteza" das coisas pequeninas e singelas como sorriso de criança. Como a primeira palavra dita, que quase nunca é a esperada. Como olhar pela janela e ver o céu alaranjado. Como tomar chuva na primavera voltando pra casa, que primeiro aborrece... mas quando você se entrega, é como se o peso das coisas se esvaisse com a água impura e a gente voltasse a ser aquela criança desprovida de angústias. Como tomar sorvete de tapioca olhando o mar sujo da Ribeira. Como molhar os pés na água fria do mar, que primeiro assusta, congela... mas depois lhe refresca a alma.

É como ser assaltado. É como ser assaltado. Repetia involuntariamente. Depois de ter passado horas tentando traduzir sua forma de amar, ela finalmente conseguiu traduzí-la em poucas palavras. É como ser assaltado. Em sua lógica, também torta, teorizou: primeiro o susto, depois o medo, a tentativa de reagir, em seguida a entrega de tudo que tens de mais precioso, o êxtase por sair ileso quando o outro tem compaixão ( e não é sempre), e por fim... a sensação de que está faltando alguma coisa. Concluída sua teoria, se perguntou: quem em sã consciência iria andar pela vida querendo ser assaltado? Não ousou responder. Apenas sorriu.

Sentimentos vão(s)

Olhava para tela fixamente e não sabia o que escrever. Queria ali, naquele espaço luminoso, pintar as cores que revestiam sua alma no momento. Tons pastel. Mas ela não sabia como escrever, pintar... ela só sabia sentir. Sentir era tua maldição. Por ser contraditória e intensa, fazia com que os sentimentos lhe escapassem pela boca. Só ela ouvia. Então fumava desesperadamente enquanto falava consigo mesma, afinal, só ela era capaz de compreender a vastidão das coisas que lhe tomavam o coração. Aquilo que lhe tomava o coração e só ela sabia sentir, jamais poderia ser compartilhado... mas precisava sair de dentro. Precisava tomar cor e forma numa existência externa. Não sabia como. Lembrou de uma conversa que tivera no dia anterior sobre como os bebês se experessam e... chorou. Cada lágrima que vertia trazia em si o peso dos sentimentos sem palavras. Assim, escreveu seu poema em matéria liquefeita, temperada a sal.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Para uma avenca partindo - Caio F.

Olha, antes do ônibus partir eu tenho uma porção de coisas pra te dizer, dessas coisas assim que não se dizem costumeiramente, sabe, dessas coisas tão difíceis de serem ditas que geralmente ficam caladas, porque nunca se sabe nem como serão ditas nem como serão ouvidas, compreende? Olha, falta muito pouco tempo, e se eu não te disser agora talvez não diga nunca mais, porque tanto eu como você sentiremos uma falta enorme dessas coisas, e se elas não chegarem a ser ditas nem eu nem você nos sentiremos satisfeitos com tudo que existimos, porque elas não foram existidas completamente, entende, porque as vivemos apenas naquela dimensão em que é permitido viver, não, não é isso que eu quero dizer, não existe uma dimensão permitida e uma outra proibida, indevassável, não me entenda mal, mas é que a gente tem tanto medo de penetrar naquilo que não sabe se terá coragem de viver, no mais fundo, eu quero dizer, é isso mesmo, você está acompanhando meu raciocínio? Falava do mais fundo, desse que existe em você, em mim, em todos esses outros com suas malas, suas bolsas, suas maçãs, não, não sei porque todo mundo compra maçãs antes de viajar, nunca tinha pensado nisso, por favor, não me interrompa, realmente não sei, existem coisas que a gente ainda não pensou, que a gente talvez nunca pense, eu, por exemplo, nunca pensei que houvesse alguma coisa a dizer além de tudo o que já foi dito, ou melhor pensei sim, não, pensar propriamente dito não, mas eu sabia, é verdade que eu sabia, que havia uma outra coisa atrás e além das nossas mãos dadas, dos nossos corpos nus, eu dentro de você, e mesmo atrás dos silêncios, aqueles silêncios saciados, quando a gente descobria alguma coisa pequena para observar, um fio de luz coado pela janela, um latido de cão no meio da noite, você sabe que eu não falaria dessas coisas se não tivesse a certeza de que você sentia o mesmo que eu a respeito dos fios de luz, dos latidos de cães, é, eu não falaria, uma vez eu disse que a nossa diferença fundamental é que você era capaz apenas de viveras superfícies, enquanto eu era capaz de ir ao mais fundo, você riu porque eu dizia que não era cantando desvairadamente até ficar rouca que você ia conseguir saber alguma coisa a respeito de si própria, mas sabe, você tinha razão em rir daquele jeito porque eu também não tinha me dado conta de que enquanto ia dizendo aquelas coisas eu também cantava desvairadamente até ficar rouco, o que eu quero dizer é que nós dois cantamos desvairadamente até agora sem nos darmos contas, é por isso que estou tão rouco assim, não, não é dessa coisa de garganta que falo, é de uma outra de dentro, entende? Por favor, não ria dessa maneira nem fique consultando o relógio o tempo todo, não é preciso, deixa eu te dizer antes que o ônibus parta que você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado, assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca, talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não, esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca, em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas, e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o telhado para que você crescesse livremente, você não cresceria se eu a mantivesse presa num pequeno vaso, eu compreendi a tempo que você precisava de muito espaço, claro, claro que eu compro uma revista pra você, eu sei, é bom ler durante a viagem, embora eu prefira ficar olhando pela janela e pensando coisas, estas mesmas coisas que estou tentando dizer a você sem conseguir, por favor, me ajuda, senão vai ser muito tarde, daqui a pouco não vai mais ser possível, e se eu não disser tudo não poderei nem dizer e nem fazer mais nada, é preciso que a gente tente de todas as maneiras, é o que estou fazendo, sim, esta é minha última tentativa, olha, é bom você pegar sua passagem, porque você sempre perde tudo nessa sua bolsa, não sei como é que você consegue, é bom você ficar com ela na mão para evitar qualqueratraso, sim, é bom evitar os atrasos, mas agora escuta: eu queria te dizer uma porção de coisas, de uma porção de noites, ou tardes, ou manhãs, não importa a cor, é, a cor, o tempo é só uma questão de cor não é? Por isso não importa, eu queria era te dizer dessas vezes em que eu te deixava e depois saía sozinho, pensando também nas coisas que eu não ia te dizer, porque existem coisas terríveis, eu me perguntava se você era capaz de ouvir, sim, era preciso estar disponível para ouvi-las, disponível em relação a quê? Não sei, não me interrompa agora que estou quase conseguindo, disponível só, não é uma palavra bonita? Sabe, eu me perguntava até que ponto você era aquilo que eu via em você ou apenas aquilo que eu queria ver em você, eu queria saber até que ponto você não era apenas uma projeção daquilo que eu sentia, e se era assim, até quando eu conseguiria ver em você todas essas coisas que me fascinavam e que no fundo, sempre no fundo, talvez nem fossem suas, mas minhas, e pensava que amar era só conseguir ver, e desamar era não mais conseguir ver, entende? Dolorido-colorido, estou repetindo devagar para que você possa compreender, melhor, claro que eu dou um cigarro pra você, não, ainda não, faltam uns cinco minutos, eu sei que não devia fumar tanto, é eu sei que os meus dentes estão ficando escuros, e essa tosse intolerável, você acha mesmo a minha tosse intolerável? Eu estava dizendo, o que é mesmo que eu estava dizendo? Ah: sabe, entre duas pessoas essas coisas sempre devem ser ditas, o fato de você achar minha tosse intolerável, por exemplo, eu poderia me aprofundar nisso e concluir que você não gosta de mim o suficiente, porque se você gostasse, gostaria também da minha tosse, dos meus dentes escuros, mas não aprofundando não concluo nada, fico só querendo te dizer de como eu te esperava quando a gente marcava qualquer coisa, de como eu olhava o relógio e andava de lá pra cá sem pensar definidamente e nada, mas não, não é isso, eu ainda queria chegar mais perto daquilo que está lá no centro e que um diadestes eu descobri existindo, porque eu nem supunha que existisse, acho que foi o fato de você partir que me fez descobrir tantas coisas, espera um pouco, eu vou te dizer de todas as coisas, é por isso que estou falando, fecha a revista, por favor, olha, se você não prestar muita atenção você não vai conseguir entender nada, sei, sei, eu também gosto muito do Peter Fonda, mas isso agora não tem nenhuma importância, é fundamental que você escute todas as palavras, todas, e não fique tentando descobrir sentidos ocultos por trás do que estou dizendo, sim, eu reconheço que muitas vezes falei por metáforas, e que é chatíssimo falar por metáforas, pelo menos para quem ouve, e depois, você sabe, eu sempre tive essa preocupação idiota de dizer apenas coisas que não ferissem, está bem, eu espero aqui do lado da janela, é melhor mesmo você subir, continuamos conversando enquanto o ônibus não sai, espera, as maçãs ficam comigo, é muito importante, vou dizer tudo numa só frase, você vai ......... ............ ............. ............ .......... ........... ............. ............ ............ ............ ......... ........... ............ ............ sim, eu sei, eu vou escrever, não eu não vou escrever, mas é bom você botar um casaco, está esfriando tanto, depois, na estrada, olha, antes do ônibus partir eu quero te dizer uma porção de coisas, será que vai dar tempo? Escuta, não fecha a janela, está tudo definido aqui dentro, é só uma coisa, espera um pouco mais, depois você arruma as malas e as botas, fica tranqüila, esse velho não vai incomodar você, olha, eu ainda não disse tudo, e a culpa é única e exclusivamente sua, por que você fica sempre me interrompendo e me fazendo suspeitar que você não passa mesmo duma simples avenca? Eu preciso de muito silêncio e de muita concentração para dizer todas as coisas que eu tinha pra te dizer, olha, antes de você ir embora eu quero te dizer quê.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Para quem é real e é de mim


Fazia tempo que eu não escrevia. Me dizia ocupada. Na verdade, eu acho que não escrevia porque andava muito feliz ultimamente... e felicidade não é lá muito inspiradora. Não falo da felicidade de amar, mas sim da felicidade de viver simples e moderadamente. Aquela felicidade que a gente encontra no cotidiano... a das "horinhas de descuido" do Guimarães Rosa. Enfim, eu estava feliz e não tinha vontade de escrever. É possível medir minha felicidade pela quantidade de posts que escrevi aqui: fui do inferno de vomitar palavras para aliviar o peso de mim... ao paraíso do não ter/querer nada a dizer. Acho que a escrita era terapia e eu me dei alta.

Não consigo entender por que este tipo de felicidade que eu vivo agora não me é inspiradora. Esse é um mistério que acho que jamais entenderemos... e ao pensar nisso ouço Bethânia cantarolar: "Pra fazer um samba com beleza é preciso um bocado de tristeza..." Diante disso não preciso dizer que estou aqui porque fui tocada por ela: a danada da tristeza.

A tristeza e o sofrimento que me inspiram neste momento não são extamente meus. Mas, ao mesmo tempo, são mais meus do que se tivessem nascido em mim. Contraditória verdade. Sofro a dor do outro, como fazemos nas artes. Só que o mocinho que chora e me comove não é personagem de nenhum dramaturgo. Ele é real e é de mim. Eu não vou ver as letrinhas passarem na minha frente quando o "filme" acabar. Não vai ter aplauso no final do "espetáculo". Eu não vou esquecer as lágrimas que o vi derramar e que também provocaram as minhas. Porque ele é real e é de mim.

Ao saber da dor do amigo automaticamente me lembrei de "Pálpebras de neblina" do Caio F. Sempre o Caio. Neste texto ele relata um dia ruim, em que pensava: "Ah! como eu precisava tanto de alguém que me salvasse do pecado de querer abrir o gás." No auge da sua dor ele testemunha a dor de uma desconhecida. No auge da sua dor do "não-ter" ele é requisitado por alguém que é dele: "Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza: cuidar dele faria com que eu me esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu "dói tanto", contei da moça vadia chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou "porquê?", compreendi ainda mais. Falei: "Porque é daí que nascem as canções". E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não-ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?"

Felizmente não era este o meu caso. Eu continuava na minha onda de "horinhas de descuido"... felicidade cotidiana. Enquanto o Caio colocou sua dor no bolso e foi ao encontro do amigo, eu enchi minha mala com o máximo de feliciade que podia carregar e parti. Um bocadinho longe, um bocadinho caro (rsrs), mas foi uma experiência impagável. Daquelas que merecem e precisam ser compartilhadas. Precisam ir além da memória de quem as vivenciou. Foram seis dias inesquecíveis.

Em resumo, o que eu posso dizer é que foi só AMOR. De todo jeito. De todo o lugar. Em suas várias faces e facetas. De onde eu já tinha certeza, veio. De onde eu não esperava, veio. De onde eu sequer imaginava que podia despontar, veio. Forte, intenso, embriagante, acolhedor. Maremoto. Vendaval. Entre risos e lágrimas fui feliz e o fiz feliz. Sei que a dor dele continua lá... porque ela ainda lateja em mim. Mas sei também que ela já não é a mesma: dor míngua, assim como o amor quando não é alimentado.

Hoje as palavras voltaram aos meus papéis em branco. A tristeza me tomou pela mão e fez como aquelas professoras de antigamente, que desenhavam as letras juntos com seus aprendizes. Hoje eu estou triste, mas como sempre, também estou feliz. Feliz pelo que tenho, aliás... pelos que tenho. É para eles que vivo. É por eles que sou.

Lembrei agora da capa do CD do Marcelo Camelo, que para olhos desatentos não tem significado algum. Um jogo em que a palavra sou, também pode ser lida nós. Depende de como você olha. Depois que descobri isso eu nunca mais consegui ler o sou. Essa será minha próxima tatuagem. Diz muito de mim. Diz muito dos meus.