terça-feira, 8 de junho de 2010

Dia dos EX


Hoje é dia dos ex-namorados. Nunca fui de ter muitos namorados, pois só assumia compromisso com alguém quando eu tinha certeza de que era isso que eu queria, de que tinha amor e admiração suficiente por aquela pessoa. Alguns eu quis e não me quiseram... enfim, a vida é assim.

Destes poucos que tive, lembro-me com perfeição. De tudo. Dos gostos, dos desgostos, dos gestos, dos sonhos. Não lembro datas, mas me apego às sensações e emoções. Sei exatamente o que cada um provocou em mim. Algumas sensações eu guardo com ternura, outras... gostaria de esquecer. Mas estas, são poucas... ainda bem! Reencontro, acompanho e ainda dou palpite na vida de alguns, que se tornaram amigos. Outros eu tenho notícias pelos amigos em comum. Raros são os que eu não tenho conhecimento de que fim levaram.

É engraçado como as pessoas entram e saem da nossa vida. Ou não saem. O ideal é que não saiam. Fiquem ali presentes de alguma maneira, marcados com alguma coisa bonita. Infelizmente nem sempre é assim. Infelizmente muitos têm experiências nefastas.

É engraçado como o prefixo ex tem um peso emocional enorme para algumas pessoas e provoca arrepios em outras. Não aquele arrepio bom de lembrança gostosa, mas sim aquele que te faz tremer e dizer: "pé-de-pato mangalô três vezes". Isso é tão ruim. É tão down pensar que alguém que você já amou algum dia possa te provocar tais reações...

Mas, hoje não é dia de remoer dores passadas, mas sim de celebrar amores passados. Celebremos então o amor que vem e vai, mas um dia chega pra ficar.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Eu escrevia cartas


Ganhei de presente de minha dinda Talitinha um livro da Clarice. São cartas escritas por ela para as irmãs Tânia e Elisa. Folheando o livro lembrei da minha adolescência... sempre as reminiscências, o passado me rondando.

Neste período eu adorava escrever cartas. Escrevia para meus amigos que moravam longe e para os que moravam perto também. O caso mais curioso era de uma amiga, Virgínia, que eu encontrava diariamente na escola, mas lhe escrevia cartas. Nestas cartas a gente falava dos sonhos, dos projetos, de como víamos as pessoas que nos cercavam e fazíamos juras de amizade eterna e muitos planos de fazermos coisas juntas. O tempo passou e nossas vidas seguiram rumos um pouco diferentes: ela mora na França e eu em são Paulo. Ela casou e eu continuo solteira. Ela está terminando o doutorado e eu com preguiça de tentar começar. A última vez que a vi foi pouco antes de sua viagem, quando me contou dos seus planos e do quanto estava feliz. Eu fiquei feliz também. Depois disso trocamos alguns e-mails e nunca mais nos falamos... a vida vai acontecendo e deixamos algumas coisas e pessoas guardadinhas em algum canto especial do nosso coração. De vez em quando a gente abre a gaveta, dá uma olhadinha, sorri e volta a fechá-la de novo. O afeto ainda está lá... o tempo não apaga, a distância não diminui.

Voltando às cartas, elas eram a melhor forma que eu encontrava para me comunicar com o mundo ao meu redor. Eu sentia uma enorme dificuldade em me expressar e a escrita era meu melhor canal. Não conseguia falar dos meus sentimentos e muitas vezes não conseguia lidar com eles, para resolver o problema eu escrevia. Compartilhava com aqueles que eu julgava merecedores e, de certa forma, capazes de compreender minhas angústias e dilemas adolescentes que fugiam um pouco do que viviam meus pares. Para elas, por exemplo, os papéis de carta eram meros objetos de coleção... para mim eram uma forma de colorir as palavras.

Eu adorava ir ao correio - que ficava na Rua do Amparo - selar e encaminhar minhas correspondências. Meu coração pulava toda vez que o carteiro deixava algo debaixo da minha porta. A sensação que eu tinha era de que, de alguma forma, o mundo lá fora sabia da minha existência e me dava resposta. Eu literalmente fazia terapia por correspondência.

O curioso é que eu guardava as cartas, mas depois esquecia delas. Não sei por onde andam, mas sei que ainda existem em algum lugar do meu passado. De vez em quando ao arrumar gavetas e armários alguma coisa reaparecia e minha mãe chegava pra mim dizendo: "Você se lembra dessa carta?", "Olha aquele cartão que "fulano de tal" te deu". Eu relia e revivia o momento. Depois colocava ela de volta no mesmo espaço e respondia: "Não sei como você ainda tem estas coisas". Não entendo o que se passa comigo... tão ligada ao passado, mas sem apego às suas lembranças materiais. Guardo tudo na memória... ela se encarrega de selecionar o que merece ser lembrado.

Mas o que eu queria dizer é que eu adoro escrever cartas. Sinto falta do papel, da caneta, do selo, do envelope e do ritual de ir até o correio e eperar dias até ter uma resposta. Escrever com cuidado para não errar, bordar a letra, escrever corretamente. Isso é tão "demodê", mas ao mesmo tempo tão instigante.

Acho que vou voltar a escrever cartas. Preciso voltar ao mundo real em que as pessoas não escrevem apressadamente e se esmeram em bordar o papel com letras e sonhos, aromas e cores. Quero ter uma caixinha de lembranças ternas da troca de afeto que eu possar tocar, sentir, cheirar, enfim... que possa absorver com todos os sentidos. Isso faz todo sentido pra mim. Acho que está na hora de deixar de confiar tanto na memória, pois uma hora ela vai me trair e traição é uma merda.