quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Ensina-me a viver


Pois então... ontem foi meu primeiro dia de trabalho, depois das minhas longas e maravilhosas férias. Foi do jeito que eu queria, breve e leve. Mas não foi só isso. Meu primeiro dia de trabalho foi epifânico.

Como faço parte de uma equipe de 12 coordenadores, seguimos aquela chata rotina de apresentação, em que cada um deveria dizer seu nome, formação, falar sobre a última experiência de trabalho e relatar algo de diferente que faça na vida. Quanto a este último item eu não tinha nada a dizer... não faço nada de diferente na vida. Sou pessoa comum, super lugar-comum. A última das colegas então, ao relatar o que fazia de diferente na sua vida, acendeu aquela lâmpada que geralmente fica apagada dentro de nós, e que só se acende quando uma carga elétrica suficientemente grande a alimenta para dar luz à nossa vida. Eis que naquele momento a carga elétrica me foi presenteada pela colega.

Foi incrível!!! Eu me arrepiei inteirinha, meus olhos marejaram e disse pra mim com aquela convicção que poucas vezes nos visita na vida: - É isso!!! É isso que eu quero! É disso que eu preciso! Foi isso que sempre busquei... e que agora veio ao meu encontro!!! EPIFANIA total... e das grandes!!!

Eu nasci para servir. Esta certeza sempre me acompanhou, e muitas vezes me incomodou. De uns tempos pra cá me conformei com minha "sina", aceitei o "meu destino". Iria servir... só não sabia como, nem onde, nem quando. Me angustiava a espera dessa revelação. Eis que ela veio, num dia em que marcava um importante recomeço na minha vida. Como não acredito em coincidências, creio que é porque essa é a hora e, de certo modo, eu já pressentia que chegara o momento. Não poderia ser em hora mais oportuna. Meus olhos brilharam. O corpo tremeu e eu soube!

Para findar o mistério, revelo: há doze anos esta colega desenvolve um trabalho com os famosos Doutores da Alegria, no Hospital do Câncer aqui em São Paulo. Ela dá aulas, como voluntária, a crianças que estão internadas para tratamento no hospital, de maneira que elas possam seguir o cronograma das escolas que frequentavam antes da internação. Mas existem outras possibilidades de atuação, outras formas de servir, outros públicos para atender. Eu me afino mais com os idosos. Sempre gostei dos "mais velhos", creio que pela convivência com minha avó.
É simplesmente in-crí-vel!!! É tudo que eu queria fazer. É desta maneira que eu quero servir.

Não quero distribuir comida ou brinquedos no natal. Não quero fazer doação em dinheiro para nenhuma instituição. Não tenho condições de criar uma casa de acolhimento para idosos, como sempre sonhei. Então servirei com aquilo que mais gosto de fazer: mediar e facilitar aprendizagens, compartilhar conhecimento, aprender com o outro, dividir o que sei, o que me encanta e o que me emociona, através dos livros que eu tanto amo!

O melhor de tudo isso é que eu tenho certeza de que eles é que vão me ensinar. E o que eles vão me ensinar não está escrito em livro algum. Não se acha em nenhuma enciclopédia, tratado ou manual. Em nenhuma página na internet. É vida pulsando na veia, mesmo enfraquecida. É sangue que se doa. É amor... esse impulso vital.

Espero que eu consiga. Espero que eles me aprovem, pois terei que passar por uma entrevista e uma formação que dura 30 dias. Me dedicarei. Acenderei vela pra meu orixá. Eu preciso disso, eu mereço isso. Eu quero essa chance!

Que coisa mais egoísta não é?! Não te parece? Eu sei que é... mas a vida é isso. É feita de trocas. Algumas não tão justas, como esta, por exemplo: eu ensino eles a ler, eles me ensinam a viver.





4 comentários:

  1. Oooh amiga, que ótimo!!! Eu também sinto que nasci para servir, deve ser por isso que a gente paga né fia! Eu já cheguei a ir em alguns asilos aqui, mas eles rejeitam voluntariado, talvez pra que não se veja o real estado das coisas por lá. Parabéns pela iniciativa! Tenho certeza que será muito recompensadora.

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  2. Minha "herói"!!!
    Amo-te, amordavida!

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  3. Ai amiga, sei muito bem do que você fala e sei como faz bem...
    Sei como me mudou, como eu cresci e o que sou após essa iniciativa que foi uma "benção" (se posso chamar assim) na minha vida!

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  4. Velinhas acesas aqui em casa, neguinha. Que Babá te abençoe ;)

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